(A partir de hoje, alguns textos serão acompanhados de belíssimos mosaicos da artista plástica Yone Lins, que gentilmente permitiu a utilização)
Dançou tanto que seu corpo desprendeu-se milimetricamente, formando uma roda de pequenas partes, mosaico vivo. Seus cabelos confundiram-se com a noite; seus olhos, com as estrelas. Mas não podia permanecer desconexa, longe dela mesma; ela, que tanto buscava entender suas atitudes. Recompôs-se, fragmento por fragmento, recuperando a forma. Entretanto, estava diferente, colorida. O vestido quadriculado apenas protegia seu corpo do vento sereno, porque, transparente, denunciava a mulher que despontara de uma criança.
Dançou novamente, circundada por cores bailantes, mosaicos flutuantes. Enquanto erguia a cabeça, as mãos acompanhavam o gesto, imberbes, à espera do derramamento de prazer, que, antes, sentira, o ritual de passagem que a transformou numa mulher, a chuva fina, mosaico líquido, que a deixou inebriada, mosaico formado.
(Arte: Mosaico de Yone Lins, extraído do site br.geocities.com/yonelinsmosaicos)
(Elson Teixeira Cardoso)
