sexta-feira, 11 de maio de 2007

MÃE

(Para minha mãe, Ermínia, minha esposa, Claudia, e minha sogra, Cida)
Mãe é uma ópera singular, espetáculo mágico que sintetiza a magnitude da vida. Mãe é uma sinfonia harmoniosa, equilíbrio na corda bamba da vida. Mãe é uma cantata, coro de vozes que preenche a vida. Mãe é uma canção, acordes afinados que traduzem o brilho da vida de forma audível.
Mãe é o libreto de uma ópera, acompanhamento sutil de uma apresentação única, emocional. Mãe é a partitura de uma sinfonia, definição precisa de uma peça celeste. Mãe é uma letra musical, complemento sensível à interpretação da beleza.
Mãe é o carinho sonoro sentido antes do nascimento, o afago indescritível na cabeça, que tranqüïliza e proporciona o sono dos justos, o embalo infinito que não se iguala, a leveza que preenche o vazio.
Mãe é a música do coração.
Mãe é uma carta que retrata a vida, bilhete sussurrado nas manhãs ensolaradas. Mãe é a literatura viva, receptáculo de sonhos. Mãe é um poema lírico, versos suspirados ainda quentes, imagens sutis, vontades cravejadas de rubis. Mãe é um poema épico, palavras de ouro que abarcam o universo.
Mãe é a poesia da alma.
Mãe são as muitas recomendações para não sair sem agasalho, não ficar sem comer, fazer os deveres de casa, não chegar tarde, dormir cedo, não ligar para o escuro, chamar por ela sempre que sentir medo, pensar no futuro, estudar, amar e ser amado, chorar, mas não permitir ser maltratado. Mãe são os ensinamentos da vida, os instantes agradáveis da memória, a presença que jamais desaparece, a consciência que proporciona certeza, o abraço que nunca acaba. Mãe são os conselhos para dirigir devagar, os olhos que enxergam o íntimo, o colo nas tristezas, o ânimo nas incertezas, a força nas fraquezas.
Mãe é a compreensão que não se esgota.
Mãe também é filha, pedra preciosa que tornou-se dádiva. Mãe é uma chuva de flores, um oceano repleto de ternura, uma cachoeira onde jorra esplendores, um continente formado por filhos diferentes. Mãe é a medida certa para toda a vida, o refúgio procurado mesmo quando se é adulto, a seiva das árvores, o alimento imprescindível, a bronca indiscutível, o antídoto para o tormento, o retiro espiritual, a paz, o contentamento. Mãe é a sensibilidade, a sabedoria divina, a profundidade, o pilar que sustenta, a sinceridade, aquela que amamenta com o leite da vida, a preocupação traduzida em oração, a muher que nunca é esquecida.
Mãe é a explicação do amor, a razão da vida...
(Arte: "Pietá", de Michelângelo)

(Publicado no Jornal da Cidade, em 13/05/2007)

(Elson Teixeira Cardoso)

Um comentário:

gui disse...

nunca vi um texto que falasse tudo e lindo !