terça-feira, 5 de junho de 2007

MOSAICO (MINICONTO)

(A partir de hoje, alguns textos serão acompanhados de belíssimos mosaicos da artista plástica Yone Lins, que gentilmente permitiu a utilização)

Dançou tanto que seu corpo desprendeu-se milimetricamente, formando uma roda de pequenas partes, mosaico vivo. Seus cabelos confundiram-se com a noite; seus olhos, com as estrelas. Mas não podia permanecer desconexa, longe dela mesma; ela, que tanto buscava entender suas atitudes. Recompôs-se, fragmento por fragmento, recuperando a forma. Entretanto, estava diferente, colorida. O vestido quadriculado apenas protegia seu corpo do vento sereno, porque, transparente, denunciava a mulher que despontara de uma criança.

Dançou novamente, circundada por cores bailantes, mosaicos flutuantes. Enquanto erguia a cabeça, as mãos acompanhavam o gesto, imberbes, à espera do derramamento de prazer, que, antes, sentira, o ritual de passagem que a transformou numa mulher, a chuva fina, mosaico líquido, que a deixou inebriada, mosaico formado.

(Arte: Mosaico de Yone Lins, extraído do site br.geocities.com/yonelinsmosaicos)

(Elson Teixeira Cardoso)

2 comentários:

Analuka disse...

Belíssimo, o mosaico de Yone! Possui vida própria, em sua dança de matizes... E o texto tecido com estrelas, cacos de nuvens, ventos e vestidos transparentes, está um encanto!... O ritual de passagem acontece, magicamente, em cada canto, em cada encontro, em cada reconstrução de si... Beijo alado!

Diana Menasché disse...

Querido Elson,

Adoro dança, adorei esse texto, e acho irado isso de juntar a dança com o desabrochar da garota. Com certeza, uma das coisas mais difíceis para uma mulher é desabrochar, e com certeza isso tem tudo a ver com CORES, com PASSAGEM, com revelação.
Fico super feliz por seu blog passar a ter essas imagens bacaníssimas - você antecipou um desejo que pretendo pôr em prática no meu blog também.

Boa sorte em tudo!
Sucesso!
Diana